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domingo, 2 de março de 2014

Soneto

                                          (Pablo Picasso)




EU-EGOÍSTA


Eu, que sou a flor mais bela dos campos,
fiz aquele homem sofrer as dores d’um parto;
arranquei-lhe o coração e o inumei no mato.
Pobre tolo que ousou acreditar no Amor a cair em prantos.

O meu falso altruísmo ele acolheu em todos os cantos;
minha safadeza o condenou ao Inferno, de fato;
deixei-o nu na solidão com um pensamento inexato,
da impotência em conquistar-me com outros mantos.

Transformei a fome dele em total desgosto.
Retirei-lhe a sede na intranquilidade de um ser exposto,
a se perder no julgamento que eu mesma faço.

Sinto-me enojada por ele ser tão odioso;
nem se quer eu tive algum momento belo e gostoso.
E procuro agora todos os amantes melhores que este cabaço.



Dona Bote-Rude

domingo, 29 de dezembro de 2013

Amigos...



A AMIZADE

A amizade é uma relação íntima e perigosa
É entrelaçar as afeições agora e infinitamente
Na compreensão e na vivência harmoniosa
A alma expande e pede o amor incipiente

Amigo é mais do que alguém para conversar
É aquele que está presente a todo o momento
Se estiver ausente sente falta em abraçar
No sentir do outro este verso do soneto

E quanto mais o amor se aquecer
Sonha mais alto ao contemplar o entardecer
Na confiança de que nunca vai se esquecer

Da benevolência deste carinho tão profundo
E que na vida a distância pode enlouquecer
Mas o futuro traz a luz de um novo mundo


Eduardo Bento e July Dias,
domingo, 29 de dezembro de 2013.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Um sofisma?



O FALACIOSO

Convencer o convencido niilista
Com a suposta ideia de saber
Que do nada tudo fica em outra vista
Incipiente a procurar o que não ser

Viver é morrer todos os dias
É o levantar-se em agonia
É o não-saber entristecer
Os corajosos que se rendem à fantasia

É como viver na mente dos loucos
Mas esta virtude é para poucos
Que eternamente são escolhidos a falecer

Desfalecer mais uma vez o que não via
Na escuridão que cobre o céu de um novo dia
E a alma nega os que não ficam por dizer




Eduardo Bento e Giovanna Regina Guarnieri
Sexta-feira, 08 de fevereiro de 2013

Produzir...


Chove-chuva

A chuva começa a tressaltar
Aos olhos de quem só quer chorar
Voraz e profundo é o sentimento
D’um canto que per si é só lamento

Vivificar as vozes d’este soneto
Pr’uma noite o som poder apaziguar
E bendizer ao coração n’este momento
Que nada fica n’uma espera a violar

Tratar o novo como o velho que se foi
Destino solto foi-se embora e disse “oi”
Vem n’esta hora d’uma vez sem remedar

Pode agora escolher uma fração
A qual não vê um velho ardor no coração
Pois sente tudo novamente a melindrar


Eduardo Bento,
sexta-feira, 08 de fevereiro de 2013

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

A criar...


Como somos 21

Quando a trissomia me alucina
Nossa síndrome nos desabilita
E na deformidade desta sina
A habilidade é pouca e maldita

Há quem diga que é um retardo
Mas quem carrega este fardo?
Só não se sabe se é muito ou pouco
E este ser, do ente, é estigmatizado como um louco.

Vejo a métrica se perder
Sinto o céu escurecer
Para que não me falhe a razão

Sem vazão ao compreender
E os defeitos vão corrigir
D’aqueles que só versam a mentir.

Eduardo Bento
07/02/2013

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Revisitar...


Instinto genésico

Eu sinto, agora, o ufanoso sabor da tua pele
Adiante aos ares mais límpidos, introduzo-te;
Não há um prazer maior que eu vele,
Fico comedido à tua frente, posto a olhar-te.

Pero, tu abres as tuas hastes de contento,
E me doo aos teus carinhos sobre o meu mento;
O suor brota em nossas faces, pelas horas demoradas,
Viscoso amor suplantado em carícias violentadas.

Grandioso, cansativo e aprazível movimento fundido.
Nossos corpos são agora uma única e mesma personagem;
Corramos neste instante para o destino de nossa imagem...

D’uma satisfação embutida em teu rosto definido,
De beleza trina, incluir-se-ia a inteligência sem miragem;
Acabamos por gozar a vida sem terminar a viagem.

Eduardo Bento.
12 de outubro de 2006

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

1983

MCMLXXXIII

Eduardo Bento


Dos banhos mais demorados

Aos prazeres outrora aclamados

Nosso saber é pura ilusão

Que destoa em pura emoção


Mas donde há pureza

Se aqui só se vê tristeza?

Donde há vida

Se a morte é a saída?


Meus cabelos encanecem

Minhas flores envelhecem

E todos um dia se esquecem


Que as falhas transparecem

E os medos obscurecem

Os inumanos que enlouquecem

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Não se trata de aritmética!

Gregor Reisch (1467-1525)


Quando dois são três e quatro convertem-se em um na relação entre cinco mil e quatrocentos...

Eduardo Bento


O barulho mais silencioso

É o ecoar do virtuoso;

Em uma semana se esvai

No próximo ano te atrai...


A festa do vinho seguiu

Por toda cidade cinzenta,

E quando o orvalho caiu

A força do céu te apoquenta.


Triste sonho infernal

Que alegra a minha razão,

Pelos altos e baixos do ser...


Será que tudo é tão matinal,

Ou vivemos sem ter emoção

Enlaçados ao amanhecer?

(...)

O novo, de novo.

Eduardo Bento


Hoje uma novidade sobreveio sorrateiramente ao meu lar

Era noite, as nuvens mais pesadas cobriam o céu e o meu olhar;

No entanto, a brisa mais leve e límpida pude novamente apreciar...

E há quem conquiste o céu, as estrelas e não saiba realmente amar.


Contudo, o que é o mar se amar desfaz-se em ilusão?

É a doce vida que emerge nesses versos tortuosos

É o desejo longínquo que traz os carinhos mais formosos?

São as dúvidas que regem com notas menores meu nobre coração


O tempo se desfaz em um segundo

O falso nascer do sol é o que te obscurece

Não haverá quem lhe traga um presente mais profundo


Se no fundo a morte está no mundo

A vida não é mais aquilo que te amadurece

E se não há amor na vivência o coração se entristece



sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Soneto insípido, inodoro e incolor...

Da retidão tortuosa

Eduardo Bento


Gente, quanta raça,

Quanta pirraça

Se a morte é uma graça

A vida se faz na cachaça


Sabe tudo, ou quase nada;

Quase tudo é nada a saber

Mas tudo rima com nada

Ou nada se dá no querer?


São ecos, são palavras que reverberarão...

É como o som que toca o ar

Sem ter onde se escorar


São vibrações, com toda potência em vão;

Noites e dias sem luar

Dias e noites a rememorar!