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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Revisitar...


Instinto genésico

Eu sinto, agora, o ufanoso sabor da tua pele
Adiante aos ares mais límpidos, introduzo-te;
Não há um prazer maior que eu vele,
Fico comedido à tua frente, posto a olhar-te.

Pero, tu abres as tuas hastes de contento,
E me doo aos teus carinhos sobre o meu mento;
O suor brota em nossas faces, pelas horas demoradas,
Viscoso amor suplantado em carícias violentadas.

Grandioso, cansativo e aprazível movimento fundido.
Nossos corpos são agora uma única e mesma personagem;
Corramos neste instante para o destino de nossa imagem...

D’uma satisfação embutida em teu rosto definido,
De beleza trina, incluir-se-ia a inteligência sem miragem;
Acabamos por gozar a vida sem terminar a viagem.

Eduardo Bento.
12 de outubro de 2006

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Tautologias


Tautologias
(Eduardo Bento)

As mesmas falas,
O mesmo orgulho.
As mesmas caras,
O mesmo barulho.
As mesmas marcas...
As mesmas palavras;
Quantas mesmices em poucos versos.
Quantos versos neste mesmo lugar;
Abruptamente esquecemo-nos de criar,
Delituosamente começamos a ignorar...
Mas o que há de certo em compreender o incerto?
E o “impensar”,
É o não-pensar desastroso de quem tem preguiça de cogitar?
Cogitar? Quantos versos, quanta mentira...
A rima já não é mais tão sobresselente
E excelente é este fardo que carregamos sem amar.

domingo, 10 de abril de 2011

Outras influências (confluências?)




Solidão
Aproximo-me da noite
o silêncio abre os seus panos escuros

e as coisas escorrem

por óleo frio e espesso


Esta deveria ser a hora

em que me recolheria

como um poente

no bater do teu peito

mas a solidão

entra pelos meus vidros

e nas suas enlutadas mãos
solto o meu delírio

É então que surges

com teus passos de menina

os teus sonhos arrumados

como duas tranças nas tuas costas

guiando-me por corredores infinitos
e regressando aos espelhos

onde a vida te encarou


Mas os ruídos da noite

trazem a sua esponja silenciosa

e sem luz e sem tinta

o meu sonho resigna


Longe

os homens afundam-se

com o caju que fermenta

e a onda da madrugada

demora-se de encontro

às rochas do tempo


(Mia Couto)

terça-feira, 8 de março de 2011

MÚSICA


CARROSSEL DE FOGO
EDU BENTO

Quando me lembro da noite que não estava aqui
O meu coração predador não me deixa ruir

Os dias enganam o tempo e não podem mudar

Nosso destino incerto de quem quer chegar


Se a vida tem sentido em vão

Eu quero andar na contramão

E passa um ano devagar

Não se vou querer ficar assim


Carrossel de fogo, não posso mais caminhar

Há muita sorte nesse jogo que só traz azar

Agora vejo mais alguém
Querendo estar em minhas mãos
Nossa canção não vai além

De poucos versos sem reação pra mim