sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Produzir...


Chove-chuva

A chuva começa a tressaltar
Aos olhos de quem só quer chorar
Voraz e profundo é o sentimento
D’um canto que per si é só lamento

Vivificar as vozes d’este soneto
Pr’uma noite o som poder apaziguar
E bendizer ao coração n’este momento
Que nada fica n’uma espera a violar

Tratar o novo como o velho que se foi
Destino solto foi-se embora e disse “oi”
Vem n’esta hora d’uma vez sem remedar

Pode agora escolher uma fração
A qual não vê um velho ardor no coração
Pois sente tudo novamente a melindrar


Eduardo Bento,
sexta-feira, 08 de fevereiro de 2013

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

A criar...


Como somos 21

Quando a trissomia me alucina
Nossa síndrome nos desabilita
E na deformidade desta sina
A habilidade é pouca e maldita

Há quem diga que é um retardo
Mas quem carrega este fardo?
Só não se sabe se é muito ou pouco
E este ser, do ente, é estigmatizado como um louco.

Vejo a métrica se perder
Sinto o céu escurecer
Para que não me falhe a razão

Sem vazão ao compreender
E os defeitos vão corrigir
D’aqueles que só versam a mentir.

Eduardo Bento
07/02/2013

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Revisitar...


Instinto genésico

Eu sinto, agora, o ufanoso sabor da tua pele
Adiante aos ares mais límpidos, introduzo-te;
Não há um prazer maior que eu vele,
Fico comedido à tua frente, posto a olhar-te.

Pero, tu abres as tuas hastes de contento,
E me doo aos teus carinhos sobre o meu mento;
O suor brota em nossas faces, pelas horas demoradas,
Viscoso amor suplantado em carícias violentadas.

Grandioso, cansativo e aprazível movimento fundido.
Nossos corpos são agora uma única e mesma personagem;
Corramos neste instante para o destino de nossa imagem...

D’uma satisfação embutida em teu rosto definido,
De beleza trina, incluir-se-ia a inteligência sem miragem;
Acabamos por gozar a vida sem terminar a viagem.

Eduardo Bento.
12 de outubro de 2006

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A toca da lontra



Toca na toca da lontra tão solta
A lontra não toca a cona de outra
A cona se toca na lontra de toca
A toca da lontra é a cona revolta

Eduardo Bento

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

PUNHETA SÃO


PUNHETA SÃO
Eduardo Bento

O cristão,
masturba-se;
O muçulmano,
masturba-se;
Os adolescentes,
batem punheta ou siririca;
E o judeu?
Ah, esse realmente se masturba...

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Tautologias


Tautologias
(Eduardo Bento)

As mesmas falas,
O mesmo orgulho.
As mesmas caras,
O mesmo barulho.
As mesmas marcas...
As mesmas palavras;
Quantas mesmices em poucos versos.
Quantos versos neste mesmo lugar;
Abruptamente esquecemo-nos de criar,
Delituosamente começamos a ignorar...
Mas o que há de certo em compreender o incerto?
E o “impensar”,
É o não-pensar desastroso de quem tem preguiça de cogitar?
Cogitar? Quantos versos, quanta mentira...
A rima já não é mais tão sobresselente
E excelente é este fardo que carregamos sem amar.