domingo, 10 de abril de 2011

Outras influências (confluências?)




Solidão
Aproximo-me da noite
o silêncio abre os seus panos escuros

e as coisas escorrem

por óleo frio e espesso


Esta deveria ser a hora

em que me recolheria

como um poente

no bater do teu peito

mas a solidão

entra pelos meus vidros

e nas suas enlutadas mãos
solto o meu delírio

É então que surges

com teus passos de menina

os teus sonhos arrumados

como duas tranças nas tuas costas

guiando-me por corredores infinitos
e regressando aos espelhos

onde a vida te encarou


Mas os ruídos da noite

trazem a sua esponja silenciosa

e sem luz e sem tinta

o meu sonho resigna


Longe

os homens afundam-se

com o caju que fermenta

e a onda da madrugada

demora-se de encontro

às rochas do tempo


(Mia Couto)

terça-feira, 5 de abril de 2011

terça-feira, 8 de março de 2011

MÚSICA


CARROSSEL DE FOGO
EDU BENTO

Quando me lembro da noite que não estava aqui
O meu coração predador não me deixa ruir

Os dias enganam o tempo e não podem mudar

Nosso destino incerto de quem quer chegar


Se a vida tem sentido em vão

Eu quero andar na contramão

E passa um ano devagar

Não se vou querer ficar assim


Carrossel de fogo, não posso mais caminhar

Há muita sorte nesse jogo que só traz azar

Agora vejo mais alguém
Querendo estar em minhas mãos
Nossa canção não vai além

De poucos versos sem reação pra mim

sábado, 5 de março de 2011

Filosofia, religião, ciência, poesia ou apenas palavras vazias?

Sono
EDUARDO DE ARAÚJO BENTO

Amanheceu e agora vamos dormir;
Toda existência é o nosso lugar...
Proliferar versos que não são mais,
Quimeras mil de adoração, vida e paz.
A escuridão transcendeu nossa luz,
Possivelmente não tem como chegar;
Não há final nem perfeição que reluz,
Considerar a finitude de amar.
Vamos fechar os nossos olhos enfim
E uma dezena agora nós vamos contar:
Um, dois, três, quatro
Cinco, seis, sete, oito, nove, dez...
Nove, oito, sete, seis
Cinco, quatro, três, dois, um.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Dialética

Um novo horizonte

EDUARDO DE ARAÚJO BENTO

HENRIQUE AZEVEDO NOGUEIRA

Pelo impulso carente-de-si, o espírito desdobra-se em um processo de atualização, verticalizando-se dialeticamente, apreendendo a negação-de-si e subsumindo-a para atualizar-se. E neste movimento, perde-se para uma nova imagem de si.

A contínua formação do espírito se expande neste processo dialético, tanto quanto se desmorona violenta e gradativamente, impulsionado pelo tédio e pela superficialidade do contingente, desejando reconciliar-se com o absoluto.

O todo se dá de modo dialético racional, pela necessidade de reconhecer-se na sua negação. Portanto, a constituição do todo não é um fim, mas sim uma eterna reconciliação do outro-de-si-para-si...

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

MOBA

Depois de um longo período de hibernação, estou aqui novamente para postar alguma coisa inútil...

Estou de volta somente para mostrar uma pequena coleção de obras de artes “ruins” do MOBA (Museum of Bad Art). Trata-se de uma comunidade, inicialmente fundada em uma casa particular em Boston no ano de 1994 que reúne, exibe e celebra uma grande coleção de obras de arte – se assim podemos conceituar -, cujas regras estéticas e morais, tão apreciadas por uma arte de cunho acadêmica, são inexploradas; no MOBA só encontramos aquilo que há de “pior” na criação artística que, de tão ruim, “indubitavelmente”, jamais poderia ser ignorada.
Então vamos dar uma breve olhada em algumas criações que fazem parte do acervo do MOBA:


Red Figure With Braids













Veja os detalhes do rosto











http://www.museumofbadart.org/collection/portraiture-13.html



Shy Glance



















http://www.museumofbadart.org/collection/portraiture-14.html



Jerez the Clown



















http://www.museumofbadart.org/collection/portraiture-11.html



Dog












http://www.museumofbadart.org/collection/landscape-6.php



Vortex













http://www.museumofbadart.org/collection/landscape-4.html



Love Is Being Out On a Limb Together



















http://www.museumofbadart.org/collection/unseen-3.html



In the Cat's Mouth



















http://www.museumofbadart.org/collection/unseen-8.html



OLE OLE, OLE OLE












http://www.museumofbadart.org/coll6/image24.php



CHIQUITA












http://www.museumofbadart.org/coll6/image21.php



HALF POLYNESIAN, HALF NORWEGIAN



















http://www.museumofbadart.org/coll6/image19.php



Depois deste “monstruoso” passeio, suscita-me uma pergunta: Existe arte “ruim”? Se alguma criação artística é considerada de “má qualidade”, esta deveria ser concebida como arte, ou apenas uma tentativa nula?
Para ver as coleções na íntegra, visite: MOBA (Museum of Bad Art)