terça-feira, 9 de novembro de 2010

Amizade




Eduardo Bento e Thiago Soares...

Não vou postar textos grandiosos ou frases de efeito. A amizade não precisa de argumentos e evidências para ser alguma coisa admirável e silenciosa (para a multidão).

Não me venham dizer que sou muito hermético...

Abraços,

E.B.

domingo, 7 de novembro de 2010

Quaderno (parte1 - Flo Menezes/Daniel Murray)

Assistam o vídeo abaixo:



Acharam a música "monstruosa" demais? Deixem seus comentários a respeito...

sábado, 6 de novembro de 2010

Filme: O Enigma de Kaspar Hauser


Alemanha Ocidental 1974 - cor - 110 min
Título original: Jeder für sich und Gott gegen alle
Direção: Werner Herzog

Roteiro: Werner Herzog e Jakob Wassermann
Elenco: Bruno S., Walter Ladengast, Brigitte Mira, Willy Semmelrogge

Género: drama

Idioma original: alemão


Certa vez, este filme foi recomendado por uma professora minha da faculdade porém, eu já tinha assistido esta produção bem antes de começar o curso de filosofia. Aqui em casa, há muito tempo, já tínhamos o VHS deste drama tão marcante.
Eu nunca havia feito uma "leitura" fenomenológica acerca do Egnima de Kaspar Hauser antes de começar a cursar filosofia - se é que agora eu fiz algum tipo de leitura -, destarte, talvez com um olhar diferenciado sobre como pode ser a vida sem experiências, as cenas me levaram para uma compreensão (no sentido de abarcar) menos inautêntica do que outrora tinha me levado para um mero drama silencioso de uma cotidianidade atrelada à publicidade que se tornou a vida contemporânea que, historicamente, sempre aceita questões lógicas ou científicas como a verdade do que o ser exatamente é.

Os acasos anteriores não me levaram ao conceito, ou melhor, à vivência empírica que tirariam os meus dias da total claridade circular, para uma inédita escuridão misteriosa que transferiria minha exatidão privada para um estado de completa atitude de abertura a tudo que, em termos gregos, constitui-se em um πάθος daquilo que antes tinha uma significação evidente para mim e que, nesse momento, transformou um dia claro em tempestade e escuridão de uma noite monstruosa e angustiante.
Este é o sentimento que o filme e todas as outras condições artísticas têm me dado de presente, como se eu fosse um mero ente movido por afetações que nunca fecham um ciclo, ou que estão distantes do contexto atualmente aceito. Poucas palavras, dentro de tal linguagem, jamais poderiam dizer qual é esta condição possível do novo contexto em que me sinto cada vez mais inserido.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Uma parábola...


"Num lugar não muito longe daqui havia um poço fundo e escuro onde, desde tempos imemoriais, uma sociedade de rãs se estabelecera. Tão fundo era o poço que nenhuma delas jamais havia visitado o mundo de fora. Estavam convencidas de que o universo era do tamanho do seu buraco. Havia sobejas evidências científicas para corroborar essa teoria, e somente um louco, privado dos sentidos e da razão, afirmaria o contrário. Aconteceu, entretanto, que um pintassilgo que voava por ali viu o poço, ficou curioso e resolveu investigar suas profundezas. Qual não foi sua surpresa ao descobrir as rãs! Mais perplexas ficaram elas, pois aquela estranha criatura de penas colocava em questão todas as verdades já secularmente sedimentadas e comprovadas em sua sociedade. O pintassilgo morreu de dó. Como é que as rãs podiam viver presas em tal poço, sem ao menos a esperança de poder sair? Claro que a ideia de sair era absurda para os batráquios pois, se o seu buraco era o universo, não poderia haver um ‘lá fora’. E o pintassilgo se pôs a cantar furiosamente. Trinou a brisa suave, os campos verdes, as árvores copadas, os riachos cristalinos, borboletas, flores, nuvens, estrelas... o que pôs em polvorosa a sociedade de rãs, que se dividiram. Algumas acreditaram e começaram a imaginar como seria lá fora. Ficaram mais alegres e até mesmo mais bonitas. Coaxaram canções novas. As outras fecharam a cara. Afirmações não confirmadas pela experiência não deveriam ser merecedoras de crédito, elas alegavam. O pintassilgo tinha de estar dizendo coisas sem sentido e mentiras. E se puseram a fazer a crítica filosófica, sociológica e psicológica do seu discurso. A serviço de quem estaria ele? Das classes dominantes? Das classes dominadas? Seu canto seria uma espécie de narcótico? O passarinho seria um louco? Um enganador? Quem sabe ele não passaria de uma alucinação coletiva? Dúvidas não havia de que tal canto tinha criado muitos problemas. Tanto as rãs-dominantes como as rãs-dominadas (que secretamente preparavam uma revolução) não gostaram das ideias que o canto do pintassilgo estava colocando na cabeça do povão. Por ocasião de sua próxima visita o pintassilgo foi preso, acusado de enganador do povo, morto, empalhado e as demais rãs proibidas, para sempre, de coaxar as canções que ele lhes ensinara...” (ALVES, R. O que é religião? p. 117-118).

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Sem significado

"Um poema deveria ser palpável e mudo
como um fruto redondo,
um poema deveria não ter palavras
como o voo dos pássaros,
um poema não deveria significar coisa alguma
e simplesmente... ser".

- Archibald MacLeish.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Um texto (não é grande coisa)


Ser e tempo: apresentação dos conceitos da existência autêntica em oposição à vida inautêntica.

EDUARDO DE ARAÚJO BENTO

Os conceitos que serão aqui apresentados, dão vazão a uma possibilidade de compreensão de apenas parte da teoria heideggeriana acerca da autenticidade, proposta por uma abertura completa do ser do Dasein. Contudo, aqui também será analisado como o ente encara sua cotidianidade mediana (e “pública”), com indícios ao caráter existenciário de uma vida inautêntica; o ser do ente não é “experimentado” abundantemente e abarcado conscientemente, assim como na compreensão do ser e do tempo em suas condições gerais das possibilidades de existência.

O tempo, em seu aspecto ontológico, é um movimento extático, ou seja, é a compreensão da abertura total do ser enquanto ente em êxtase. O Dasein é lançado à uma retomada ao advir, com aquilo que passou, gerando o apresentar-se no instante da decisão – não há uma consideração subjetiva e objetiva em três tempos diversos: na cotidianidade há uma preferência pela queda (decadência) no presente. Na concepção heideggeriana o futuro é primaz, sendo o passado ainda presente e, ao apresentar-se no “presente” como poder-ser; vai da abertura ao cuidado a partir das possibilidades existenciais. Portanto, é digno da compreensão geral no tempo com o Dasein, e é essencial explicitar as maneiras (modos) do tempo nas duas estruturas admitidas, ou seja, a vulgar e a “admirável”: na concepção vulgar o presente é o eixo, as vivências passadas são abandonadas e os momentos pósteros são deixados para depois, ainda realizáveis, interminavelmente; no tempo originário o futuro tem prioridade, o passado é a retomada dos momentos vivenciados, e o presente é o momento da tomada de decisão – assim a temporalidade denota a abrangência do ser com um “ir-ter” no tempo, o que dá sentido ao Dasein como condição existencial ao advir.

Outra parte importante da analítica existencial é a dualidade entre sujeito e objeto opondo-se ao Dasein, e dele junto ao mundo. Aqui a cotidianidade comum dá ao ente sua experimentação ôntica, do mesmo modo que não se serve da compreensão ontológica de si. Na realidade, não poderia ser admitido que o conhecimento, nesses termos da cotidianidade comum, se faz da relação entre sujeito e objeto; o que é, e deve ser, coroado como autêntico no Dasein é a abertura da subjetividade do ser deste ente, não como algo dentro do mundo, mas externo de si e com-o-mundo. O Dasein faz-se lugar no mundo que somos, em uma constância distinguível da ideia de sujeito “inserido” no mundo e do objeto subserviente ao mesmo sujeito; na aceitação ôntica-existenciária não há uma relação de possibilidade na abertura externa da subjetividade do Dasein.

Por fim, abordemos os aspectos da angústia existencial, dando vias de acesso ao termo dos conceitos supracitados, ou seja, aqui se aterá toda a estrutura da analítica na existência, com a condição mais autêntica do Dasein enquanto ente de possibilidades; fundamentar-se-á, assim, como já foi citada, a estrutura existencial e autêntica do cuidado (cura). É importante deixarmos claro que, primeiramente, a metodologia heideggeriana acerca da angústia analisa o ôntico do ente e a acepção ontológica do ser: o ôntico se dá na decadência do mundo circundante (intramundo), enquanto o ontológico faz-se “presente” na abertura extrema ao cuidado. E em segundo lugar, a angústia é o sentimento de total abertura do Dasein – diferente de qualquer tristeza fechada em nível ôntico -; ele sente-se abandonado, sem lugar, “dentro” de um vazio e exposto às possibilidades.

A angústia afasta a alienação do mundo circundante pelo seu caráter de estranheza, de sentir-se sem lar. Ela afasta as rotinas, os sensos vulgares de tempo, o conhecimento pela relação sujeito-objeto e as tristezas ônticas do ente. O que é estranho vem sempre marcado por compreender que a cotidianidade, nas relações intramundanas, é fechada às possibilidades do Dasein: a angústia só é “lúcida” quando vem de lugar nenhum, do nada; lucidez que transcende o mundo circundante, que mostra o ser como ele é, ou deva ser, ou possa ser, melhor ainda, passa a ser. Sem lugar e de lugar nenhum, a angústia é angustiada quando vivífica, a partir da analítica, o lugar donde a fenda para as vivências existenciais ficam em total dessemelhança com a decadência na infinitude circundante. Somos finitos e, por isso, a angústia se apresenta e nos autentica.

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Referências bibliográficas:

HEIDEGGER, M. Ser e tempo – Parte I. Vozes. Petrópolis, 1988.

NUNES, B. Heidegger – Ser e tempo. Acesso em 22/09/2010. Link: http://www.scribd.com/doc/35610771/HEIDEGGER-Martin-Ser-e-Tempo-Parte-I